sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

(...)

Eu amo sonhar. Amo sonhar e acreditar naquilo que sonho. Também amo me iludir, afinal, qual é a graça de acreditar somente naquilo que é provável e possível?
Amo cantar e ser cantada. Amo dançar e amo a forma única e inexplicável como os dias passam, sem se repetir, ainda que pareçam sempre tão chatos e monótonos. Amo a maneira como me pego sempre pensando sobre tudo, como se fizesse um rápido levantamento de tudo que fiz e que fui até hoje e de tudo que ainda serei um dia. Amo me importar muito com pequenas coisas. Mas também amo a forma como as seriedades e os problemas da vida em geral, mexem comigo. Amo sofrer e chorar de saudade, pois isso sempre quer dizer que vivi momentos maravilhosos com pessoas ainda mais maravilhosas. Mas também amo o modo como defino e traço aquilo que realmente vale à pena e o que já não consegue me roubar tanta atenção assim. Amo sorrir e amo sorrisos. Eu amo a vida e tudo o que nela acontece. Desde a sensação mais alegre até a lágrima mais triste e solitária. E assim, creio que viver seja mesmo isso: não ter medo de cair ou de seguir viagem pelos caminhos ilusórios porém intensos, da felicidade e do amor. Talvez viver seja como escrever essas palavras. Não se sabe ao certo o motivo ou o porquê. Apenas se deixa que elas voem em busca de um lugar ou alguém que as entenda, as valorize e as ame de verdade.


Vanessa Luz Aguiar

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Faz muito tempo que eu não sabia
o que era ser feliz assim!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sinto falta

Sinto falta da menina que brincava de bola e sentava na terra;
que andava descalça na lama só pelo prazer de vê-la escorregar pelos dedos;
Sinto falta das longas manhãs de domingo;
do cheiro do pó de serra da serraria do vizinho que servia de matéria-prima para os mais variados bolos confeitados com as flores do quintal da vovó;
Sinto falta do presentinho de papel noel;
também sinto falta da noite em que agarrei-me ao pranto por descobrir que ele não existe;
Sinto falta do barulho dos pés tocando o chão nas brincadeiras de elástico;
Da mamadeira de nescau que vovó me deu escondido dos meus pais até os 5 anos;
Sinto falta da jabuticaba doce e fresca e da siriguela dos galhos mais altos que só vovô conseguia tirar;
Sinto falta das brincadeiras de roda e das diversas paixões que eu dizia sentir;
Sinto falta de me arrumar para esperar meu pai chegar do trabalho e me abraçar daquele jeito, que só ele sabia fazer;
Eu até sinto falta de ouvi-lo ameaçar cortar minha língua e os dedos se eu os mostrasse pros outros;
Sinto uma baita falta de me esconder no guarda-roupa e ficar lá apertada, no escuro e sorrindo com mais três de mim de diferentes idades e cores;
Sinto muita, muita falta...
Mas o que mais aperta lá no fundo, é sentir falta de poder dizer que isso tudo um dia, vai acontecer novamente.

Luz.

sábado, 10 de julho de 2010

um barco à deriva
sem porto para ancorar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fobia

Nada vejo.
Num infinito abstrato,
dentre a mistura de tons,
apenas um tom.
Me perco.
A respiração foge e me fixa ao chão.
Dentre o mais insuportável, o desespero.
tento lutar contra o espaço,
me debato contra o ar seco,
nada acontece.
Nada mais sinto além de medo.
Diante dele, respirar já não é tão importante.
Em meio ao abstrato do desconhecido,
eu sinto o medo.
Um medo inexplicável como a consistência do ar.
Em meio à diversidade de monstros,
me deparo com o monstro mais temido de todos,
Eu, sozinho no escuro.

Luz.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um barco à deriva
eu me torno longe de você
a vida se agita como as ondas desafiadoas
se se fecha como o tempo.
Nem um sinal de céu azul...

Luz.

domingo, 18 de abril de 2010

Solidão

Eu navegava próximo as ondas quebrantes e incrivelmente transparentes
da costa litorânea.
Tempo insuficiente para sacear a saudade e recontar os casos gravados na memória.
O sol brilhava de tal instensidade que as aguas pareciam conter purpurina
daquelas mesmo que compramos nas papeplarias.
Os minutos seguiam lentamente e eu não queria mais sair dali
Impressionante a atração que as águas do mar exercem sobre mim
e é incrédulo o medo que eu tenho delas ao mesmo tempo.
Cheguei ao meu destino.
Aquele monte de terra seria minha morada nos próximos cinco anos.
Em meio ao Recôncavo quente e extremamente seco
agora eu sinto frio.
Em meio a uma infinidade de rostos,
sinto profundamente a solidão.


Luz.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hoje eu acordei com vontade de cantar,
mas eu olhei em volta e não havia ninguém
pra dividir as rimas e versos.
Nenhum rosto amigo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nada Mais Doce que a Doce Ilusão

Eram 00:24 hrs de um dia frio de outono.
Frio na pele e na alma se for para a melhor compreensão.
As cores já não coloriam e as flores demoravam mais pra desabrochar.
Aqui dentro, o amor estava escondido.
Pensei na ilusão.
Tudo aqui é um ilusão. Do nascimento à morte. E parece que a cada fase que avançamos a vida nos aprisiona mais e mais nesse mundo fanstástico.
Fanstástico! Estranhou por assim dizer que a ilusão é encantadora de certo.
Mas ela o é.
Quando você descobre que é iludido, não sabe se é tomado por um sentimento de revolta ou se é consolado por viver um mundo melhor do que ele realmente é.
Pelo menos a maioria funciona assim.
A realidade por vezes é amarga e descrente.
Tenho a completa convicção disso (e que isso funciona em todas as esferas da vida).
Não tenha a pretensão de se auto-analisar, nem colocar lentes de aumento.
Não queira fazer um estudo macro das coisas.
Você pode perder o encanto e descobrir a realidade tal amarga como ela o é.
Se eu pudesse, voltaria uns anos.
Seria mais feliz.
"A ilusão não pode ser substituída por nada melhor porque simplesmente não existe nada melhor." Nietzche



LUZ.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A Minha Festa

O dia era lindo.
As nuvens flutuavam no céu muito azul e era quase impossível não ser hipnotizado pelo brilho da luz do sol apino refletido sobre as águas do rio.
Do outro lado da margem, uma casinha muito peculiar em meio a relva reluzente.
Em seu interior, durante o dia eram dispensadas as luzes artificiais diante da claridade singular.
O calor do ambiente era realmente convidativo.
Tive inveja do cachorrinho que brincava com uma borboleta colorida na calçada.
Era aquele o lugar. Eu tinha certeza! Tinha que ser ali.
Suspirei e pedi proteção a quem de certo me concederia.
Segui pelo túnel de arcos invisíveis e atravessei as paredes dos cômodos cuidadosamente arrumados.
Gostei muito dos dois rostos presentes e tive ímpetos de dizer-lhes algo.
Eles ainda não conseguiam ouvir-me.
Mas eu tinha certeza, eles já sentiam o calor da minha alma.
Eu havia chegado ao mundo, e agora, era só aproveitar a minha festa, a minha vida!


Luz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Amor, com amor.

Era ainda cedo. 22 hrs e todos já dormiam.
É difícil compreender como conseguem dormir tão cedo!
Do lado de fora da casa o vento soprava calmo e sacudia levemente as raras árvores dali.O solo era de tamanha pobreza que as árvores chegavam a ser minúsculas, mas ainda sim produziam frutos grandes demais para seu tamanho e doces demais para o clima extremamente seco.
Assim como as árvores, eram as pessoas que ali dormiam.
Os mosquitos do lugar incomodavam um pouco, mas qualquer penitência era válida e aceitável perto do amor que eu sentia naquele momento.
Mesmo com o silêncio dos adormecidos eu conseguia senti-lo.
No momento, ele vinha do ronco auto-falante do meu pai, do ofegar alérgico da respiração de minha irmã e meus dois primos menores, do inseparável radinho de pilha da minha avó, da quietude de minha mais agitada e de minha mãe.
Minha mãe...a ponta de amor mais forte e arrebatafora que eu já sentira na vida.
mesmo imersa em sonhos e na quietude de seu corpo eu conseguia sentir que ela me amava desesperadamente e por conta disso, tudo o mais de ruim se fora.
Eu já não ouvia o zumbido dos mosquitos, o calor se tornava mais ameno e o medo do escuro escorregara por um tobogã imenso.
Naquele dia, naquele instante, eu até podia não ter disponível meus equipamentos indispesáveis, meu ventilador, meu abajur e meu livro de cabeceira.
Mas eu tinha o amor, e esse era o equipamento substituto mais perfeito e indispensável de todos.


Luz.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Felicidade

O dia era claro e luminoso.
As cores arenosas se misturavam em meio a paisagem bucólica da qual eu já me sentia parte.
Foi assim minha primeira imagem daquele dia.
Próximo ao meu rejúgio agora quase fixo, havia um pequeno riacho
de água transparente demais que deixava à mostra a infinidade de peixinhos de cores diferentes.
A manhã seguiu calma.
O único ruído que eu ouvia era o do riachinho escorrendo junto a uma pequena quedinha d´água.
Eu me sentia feliz.
Feliz demais para querer voltar.
Foi quando avistei ao longe a razão de me fazer estar ali.
Aquilo que me impulsionava de tal forma que eu poderia dizer sim àquilo tudo, e viver todos os dias de minha vida exatamente daquele mesmo jeito.
Ele vinha por entre a vegetação rasteirinha e me trazia uma flor, a qual eu nunca havia visto igual.
Com apenas um sorriso e sem nada dizer, acoplou a flor ao meu cabelo desgrenhado da manhã e me beijou a face de forma extremamente doce.
Eu era feliz.
E não queria acordar nunca mais.


Luz.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Penico!

Como sorrir se a cada segundo nos aproximamos mais do fim?
E como chorar se o privilégio de ter recebido a oportunidade de viver contraria qualquer lágrima que ameaça escorrer pela maçã do rosto?
De qualquer forma, preferia o sorriso.
O choro seca a alma, inunda o coração de amargura.
Mas até que ponto alguém pode ser tão amargo?
Até quando chorar, chorar e só chorar?
Peço penico!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vazio

Diante da dor da incompreensão eu venho aqui.
Para ser feliz você não só necessita de alimento, teto, cama quentinha e afeto.
Ainda assim falta alguma coisa que abre o buraco dentro do peito.
Parece até pecado dizer que tendo tudo e mais um pouco não sou inteiramente feliz.
Se for realmente pecado admitir,sou uma excomungada!

Luz.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Morte da Alma

Incrivelmente sem sentido, sem rumo, sem por que
A bela moça escoava veneno
Que escorria no canto dos lábios finos e vermelhos
No olhar, a melancolia e a tristeza de poder estar revivendo um passado sombrio e temeroso
A presença da morte se fazia constante
Seus sinais sigilosos e sutis eram cada vez mais evidentes
Essa morte era uma forma particular
Talvez mais temida que a morte material, A morte da alma!
Ela vem devagar e transforma aos poucos
O processo é lento, mas ela faz questão de avisar antecipadamente
As coisas são assim, contestar por quê?
O doce amargo sabor da solidão invade a alma e se apodera de todo o seu ser
A bela moça permanece intacta, parada, a espera do seu destino, como é de praxe
Ralvez ele chegue muito brevemente
Talvez demore anos até que aconteça.
A morte foi generosa, por hora vista a outros olhos
Geralmente ela se faz cruel, mas nesse caso, ela particularmente poderia se considerar não tão dotada totalmente da maldade horripilante
A bela moça já está certa e avisada do que tão brevemente virá.

Luz.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Morte e Vida

Ás vezes é difícil colocarmos em palavras o que o nosso coração dita.
Isso porque o coração utiliza linguagem própria, desprovida de símbolos e códigos.
Se alguém mais além de nós mesmos tivesse acesso a essa área restrita, o mundo seria uma verdadeira bagunça pois a sinceridade nua seria sua principal característica.
Não é possível transcrever 100% de nossas idéias, pois o homem e a linguagem falada se limitam, se retraem e sempre medem intensidade, grau de inteligência, essas coisas.
O fato é que não só eu, como muita gente queria poder dizer o que acontece por dentro, mas na maioria das vezes o bloqueio vem e acaba estragando tudo.
As limitações impostas de maneira quase automatizada não me permitem expor os meus sentimentos mais intensos ou os medos mais obscuros. no que eu mais penso, ou melhor, no que mais o meu coração pensa, é no fim.
Quando digo fim, refiro-me ao fim de cada ser, ao acontecimento esperado, porém deprovido de expectativas e planos.
O fim daquela que recebemos e não sabem o por que, o FIM DA VIDA!
Não vou ser hipócrita como muitos e dizer que não temo a morte. Pensar nela me angustia e tem sido assim desde que me entendo por gente.
Por conta do bloqueio de linguagem a maioria daspessoas preferem não citá-la.
Por que não citar a morte?
Por que não admitir o medo e a dúvida que ela nos traz?
Seria tão mais simples se não tivéssemos somente uma vida!...
O nome do fim, não seria morte, seria despedida.
É certo que iria doer deixar seus entes queridos e partir pra outro lugar, outro planeta quem sabe, sem perspectiva de reencontro. Contudo seria mais aceitável a idéia de que o fim não seria necessariamento um fim.
Eu estava lendo um capítulo de um livro da saudosa Marilena Chauí que me despertou atenção sobre o modo como os seres humanos sentem a necessidade de uma explicação para a finalidade do mundo e que por isso acabam se alienando e esquecendo que eles mesmos fizeram o mundo de valores e classes tal como ele o é.
Eles buscam a explicação depositando sua falta de conhecimento sobre a origem de tudo em um ser desconhecido , misterioso, supremo, que pode tudo e que pune severamente aqueles que vão de encontro aos seus princípios de bondade ( quase um operador do Direito positivista ).
À primeira vista esse raciocínio seria motivo suficiente para grande parte das pessoas me pré-condenarem ao inferno. Duvidar da existência de Deus e ainda compará-lo a um operador do Direito? Um absurdo!
Mas isso, repito, é por conta do bloqueioa da linguagem dos homens. Falemos aqui com o coração.
Não sou cética e quero acreditar sim que a morte deve ter alguma explicação.
Se não a morte, pelo menos o fato de estarmos vivos, respirarmos, enxergarmos as cores e amarmos. Afinal, se fôssemos assim desprovidos de alma, se fôssemos apenas matéria, não teríamos a capacidade de amar. O amor supera todo e qualquer instinto selvagem e natural.
Talvez essa explicação ansiosamente esperada nunca chegue e as pessoas assim como eu continuem com essa angústia cravada no peito.
Mas há esperança sim, pelo simples fato de continuarmos praticando o bem e amando, acima de tudo.
Roubando de Lulu Santos, "Hoje o tempo vôa, escorre pelas mãos mesmo sem se sentir. E não há tempo que volte. Vamos viver tudo o que há pra viver, vamos nos permitir!"

Luz.