Ás vezes é difícil colocarmos em palavras o que o nosso coração dita.
Isso porque o coração utiliza linguagem própria, desprovida de símbolos e códigos.
Se alguém mais além de nós mesmos tivesse acesso a essa área restrita, o mundo seria uma verdadeira bagunça pois a sinceridade nua seria sua principal característica.
Não é possível transcrever 100% de nossas idéias, pois o homem e a linguagem falada se limitam, se retraem e sempre medem intensidade, grau de inteligência, essas coisas.
O fato é que não só eu, como muita gente queria poder dizer o que acontece por dentro, mas na maioria das vezes o bloqueio vem e acaba estragando tudo.
As limitações impostas de maneira quase automatizada não me permitem expor os meus sentimentos mais intensos ou os medos mais obscuros. no que eu mais penso, ou melhor, no que mais o meu coração pensa, é no fim.
Quando digo fim, refiro-me ao fim de cada ser, ao acontecimento esperado, porém deprovido de expectativas e planos.
O fim daquela que recebemos e não sabem o por que, o FIM DA VIDA!
Não vou ser hipócrita como muitos e dizer que não temo a morte. Pensar nela me angustia e tem sido assim desde que me entendo por gente.
Por conta do bloqueio de linguagem a maioria daspessoas preferem não citá-la.
Por que não citar a morte?
Por que não admitir o medo e a dúvida que ela nos traz?
Seria tão mais simples se não tivéssemos somente uma vida!...
O nome do fim, não seria morte, seria despedida.
É certo que iria doer deixar seus entes queridos e partir pra outro lugar, outro planeta quem sabe, sem perspectiva de reencontro. Contudo seria mais aceitável a idéia de que o fim não seria necessariamento um fim.
Eu estava lendo um capítulo de um livro da saudosa Marilena Chauí que me despertou atenção sobre o modo como os seres humanos sentem a necessidade de uma explicação para a finalidade do mundo e que por isso acabam se alienando e esquecendo que eles mesmos fizeram o mundo de valores e classes tal como ele o é.
Eles buscam a explicação depositando sua falta de conhecimento sobre a origem de tudo em um ser desconhecido , misterioso, supremo, que pode tudo e que pune severamente aqueles que vão de encontro aos seus princípios de bondade ( quase um operador do Direito positivista ).
À primeira vista esse raciocínio seria motivo suficiente para grande parte das pessoas me pré-condenarem ao inferno. Duvidar da existência de Deus e ainda compará-lo a um operador do Direito? Um absurdo!
Mas isso, repito, é por conta do bloqueioa da linguagem dos homens. Falemos aqui com o coração.
Não sou cética e quero acreditar sim que a morte deve ter alguma explicação.
Se não a morte, pelo menos o fato de estarmos vivos, respirarmos, enxergarmos as cores e amarmos. Afinal, se fôssemos assim desprovidos de alma, se fôssemos apenas matéria, não teríamos a capacidade de amar. O amor supera todo e qualquer instinto selvagem e natural.
Talvez essa explicação ansiosamente esperada nunca chegue e as pessoas assim como eu continuem com essa angústia cravada no peito.
Mas há esperança sim, pelo simples fato de continuarmos praticando o bem e amando, acima de tudo.
Roubando de Lulu Santos, "Hoje o tempo vôa, escorre pelas mãos mesmo sem se sentir. E não há tempo que volte. Vamos viver tudo o que há pra viver, vamos nos permitir!"
Luz.
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