sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A Minha Festa

O dia era lindo.
As nuvens flutuavam no céu muito azul e era quase impossível não ser hipnotizado pelo brilho da luz do sol apino refletido sobre as águas do rio.
Do outro lado da margem, uma casinha muito peculiar em meio a relva reluzente.
Em seu interior, durante o dia eram dispensadas as luzes artificiais diante da claridade singular.
O calor do ambiente era realmente convidativo.
Tive inveja do cachorrinho que brincava com uma borboleta colorida na calçada.
Era aquele o lugar. Eu tinha certeza! Tinha que ser ali.
Suspirei e pedi proteção a quem de certo me concederia.
Segui pelo túnel de arcos invisíveis e atravessei as paredes dos cômodos cuidadosamente arrumados.
Gostei muito dos dois rostos presentes e tive ímpetos de dizer-lhes algo.
Eles ainda não conseguiam ouvir-me.
Mas eu tinha certeza, eles já sentiam o calor da minha alma.
Eu havia chegado ao mundo, e agora, era só aproveitar a minha festa, a minha vida!


Luz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Amor, com amor.

Era ainda cedo. 22 hrs e todos já dormiam.
É difícil compreender como conseguem dormir tão cedo!
Do lado de fora da casa o vento soprava calmo e sacudia levemente as raras árvores dali.O solo era de tamanha pobreza que as árvores chegavam a ser minúsculas, mas ainda sim produziam frutos grandes demais para seu tamanho e doces demais para o clima extremamente seco.
Assim como as árvores, eram as pessoas que ali dormiam.
Os mosquitos do lugar incomodavam um pouco, mas qualquer penitência era válida e aceitável perto do amor que eu sentia naquele momento.
Mesmo com o silêncio dos adormecidos eu conseguia senti-lo.
No momento, ele vinha do ronco auto-falante do meu pai, do ofegar alérgico da respiração de minha irmã e meus dois primos menores, do inseparável radinho de pilha da minha avó, da quietude de minha mais agitada e de minha mãe.
Minha mãe...a ponta de amor mais forte e arrebatafora que eu já sentira na vida.
mesmo imersa em sonhos e na quietude de seu corpo eu conseguia sentir que ela me amava desesperadamente e por conta disso, tudo o mais de ruim se fora.
Eu já não ouvia o zumbido dos mosquitos, o calor se tornava mais ameno e o medo do escuro escorregara por um tobogã imenso.
Naquele dia, naquele instante, eu até podia não ter disponível meus equipamentos indispesáveis, meu ventilador, meu abajur e meu livro de cabeceira.
Mas eu tinha o amor, e esse era o equipamento substituto mais perfeito e indispensável de todos.


Luz.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Felicidade

O dia era claro e luminoso.
As cores arenosas se misturavam em meio a paisagem bucólica da qual eu já me sentia parte.
Foi assim minha primeira imagem daquele dia.
Próximo ao meu rejúgio agora quase fixo, havia um pequeno riacho
de água transparente demais que deixava à mostra a infinidade de peixinhos de cores diferentes.
A manhã seguiu calma.
O único ruído que eu ouvia era o do riachinho escorrendo junto a uma pequena quedinha d´água.
Eu me sentia feliz.
Feliz demais para querer voltar.
Foi quando avistei ao longe a razão de me fazer estar ali.
Aquilo que me impulsionava de tal forma que eu poderia dizer sim àquilo tudo, e viver todos os dias de minha vida exatamente daquele mesmo jeito.
Ele vinha por entre a vegetação rasteirinha e me trazia uma flor, a qual eu nunca havia visto igual.
Com apenas um sorriso e sem nada dizer, acoplou a flor ao meu cabelo desgrenhado da manhã e me beijou a face de forma extremamente doce.
Eu era feliz.
E não queria acordar nunca mais.


Luz.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Penico!

Como sorrir se a cada segundo nos aproximamos mais do fim?
E como chorar se o privilégio de ter recebido a oportunidade de viver contraria qualquer lágrima que ameaça escorrer pela maçã do rosto?
De qualquer forma, preferia o sorriso.
O choro seca a alma, inunda o coração de amargura.
Mas até que ponto alguém pode ser tão amargo?
Até quando chorar, chorar e só chorar?
Peço penico!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vazio

Diante da dor da incompreensão eu venho aqui.
Para ser feliz você não só necessita de alimento, teto, cama quentinha e afeto.
Ainda assim falta alguma coisa que abre o buraco dentro do peito.
Parece até pecado dizer que tendo tudo e mais um pouco não sou inteiramente feliz.
Se for realmente pecado admitir,sou uma excomungada!

Luz.