quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Faz muito tempo que eu não sabia
o que era ser feliz assim!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sinto falta

Sinto falta da menina que brincava de bola e sentava na terra;
que andava descalça na lama só pelo prazer de vê-la escorregar pelos dedos;
Sinto falta das longas manhãs de domingo;
do cheiro do pó de serra da serraria do vizinho que servia de matéria-prima para os mais variados bolos confeitados com as flores do quintal da vovó;
Sinto falta do presentinho de papel noel;
também sinto falta da noite em que agarrei-me ao pranto por descobrir que ele não existe;
Sinto falta do barulho dos pés tocando o chão nas brincadeiras de elástico;
Da mamadeira de nescau que vovó me deu escondido dos meus pais até os 5 anos;
Sinto falta da jabuticaba doce e fresca e da siriguela dos galhos mais altos que só vovô conseguia tirar;
Sinto falta das brincadeiras de roda e das diversas paixões que eu dizia sentir;
Sinto falta de me arrumar para esperar meu pai chegar do trabalho e me abraçar daquele jeito, que só ele sabia fazer;
Eu até sinto falta de ouvi-lo ameaçar cortar minha língua e os dedos se eu os mostrasse pros outros;
Sinto uma baita falta de me esconder no guarda-roupa e ficar lá apertada, no escuro e sorrindo com mais três de mim de diferentes idades e cores;
Sinto muita, muita falta...
Mas o que mais aperta lá no fundo, é sentir falta de poder dizer que isso tudo um dia, vai acontecer novamente.

Luz.

sábado, 10 de julho de 2010

um barco à deriva
sem porto para ancorar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fobia

Nada vejo.
Num infinito abstrato,
dentre a mistura de tons,
apenas um tom.
Me perco.
A respiração foge e me fixa ao chão.
Dentre o mais insuportável, o desespero.
tento lutar contra o espaço,
me debato contra o ar seco,
nada acontece.
Nada mais sinto além de medo.
Diante dele, respirar já não é tão importante.
Em meio ao abstrato do desconhecido,
eu sinto o medo.
Um medo inexplicável como a consistência do ar.
Em meio à diversidade de monstros,
me deparo com o monstro mais temido de todos,
Eu, sozinho no escuro.

Luz.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um barco à deriva
eu me torno longe de você
a vida se agita como as ondas desafiadoas
se se fecha como o tempo.
Nem um sinal de céu azul...

Luz.

domingo, 18 de abril de 2010

Solidão

Eu navegava próximo as ondas quebrantes e incrivelmente transparentes
da costa litorânea.
Tempo insuficiente para sacear a saudade e recontar os casos gravados na memória.
O sol brilhava de tal instensidade que as aguas pareciam conter purpurina
daquelas mesmo que compramos nas papeplarias.
Os minutos seguiam lentamente e eu não queria mais sair dali
Impressionante a atração que as águas do mar exercem sobre mim
e é incrédulo o medo que eu tenho delas ao mesmo tempo.
Cheguei ao meu destino.
Aquele monte de terra seria minha morada nos próximos cinco anos.
Em meio ao Recôncavo quente e extremamente seco
agora eu sinto frio.
Em meio a uma infinidade de rostos,
sinto profundamente a solidão.


Luz.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hoje eu acordei com vontade de cantar,
mas eu olhei em volta e não havia ninguém
pra dividir as rimas e versos.
Nenhum rosto amigo.