quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Adeus

E foi através do vidro fumê
que o vi pela última vez até nosso reencontro.
Meu coração sentia dor
como se há muito tivesse encostado no dele
e seguia viagem gritando em meu peito
como um desesperado pedido
de "fique um pouco mais".

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

(...)

Eu amo sonhar. Amo sonhar e acreditar naquilo que sonho. Também amo me iludir, afinal, qual é a graça de acreditar somente naquilo que é provável e possível?
Amo cantar e ser cantada. Amo dançar e amo a forma única e inexplicável como os dias passam, sem se repetir, ainda que pareçam sempre tão chatos e monótonos. Amo a maneira como me pego sempre pensando sobre tudo, como se fizesse um rápido levantamento de tudo que fiz e que fui até hoje e de tudo que ainda serei um dia. Amo me importar muito com pequenas coisas. Mas também amo a forma como as seriedades e os problemas da vida em geral, mexem comigo. Amo sofrer e chorar de saudade, pois isso sempre quer dizer que vivi momentos maravilhosos com pessoas ainda mais maravilhosas. Mas também amo o modo como defino e traço aquilo que realmente vale à pena e o que já não consegue me roubar tanta atenção assim. Amo sorrir e amo sorrisos. Eu amo a vida e tudo o que nela acontece. Desde a sensação mais alegre até a lágrima mais triste e solitária. E assim, creio que viver seja mesmo isso: não ter medo de cair ou de seguir viagem pelos caminhos ilusórios porém intensos, da felicidade e do amor. Talvez viver seja como escrever essas palavras. Não se sabe ao certo o motivo ou o porquê. Apenas se deixa que elas voem em busca de um lugar ou alguém que as entenda, as valorize e as ame de verdade.


Vanessa Luz Aguiar

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Faz muito tempo que eu não sabia
o que era ser feliz assim!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sinto falta

Sinto falta da menina que brincava de bola e sentava na terra;
que andava descalça na lama só pelo prazer de vê-la escorregar pelos dedos;
Sinto falta das longas manhãs de domingo;
do cheiro do pó de serra da serraria do vizinho que servia de matéria-prima para os mais variados bolos confeitados com as flores do quintal da vovó;
Sinto falta do presentinho de papel noel;
também sinto falta da noite em que agarrei-me ao pranto por descobrir que ele não existe;
Sinto falta do barulho dos pés tocando o chão nas brincadeiras de elástico;
Da mamadeira de nescau que vovó me deu escondido dos meus pais até os 5 anos;
Sinto falta da jabuticaba doce e fresca e da siriguela dos galhos mais altos que só vovô conseguia tirar;
Sinto falta das brincadeiras de roda e das diversas paixões que eu dizia sentir;
Sinto falta de me arrumar para esperar meu pai chegar do trabalho e me abraçar daquele jeito, que só ele sabia fazer;
Eu até sinto falta de ouvi-lo ameaçar cortar minha língua e os dedos se eu os mostrasse pros outros;
Sinto uma baita falta de me esconder no guarda-roupa e ficar lá apertada, no escuro e sorrindo com mais três de mim de diferentes idades e cores;
Sinto muita, muita falta...
Mas o que mais aperta lá no fundo, é sentir falta de poder dizer que isso tudo um dia, vai acontecer novamente.

Luz.

sábado, 10 de julho de 2010

um barco à deriva
sem porto para ancorar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fobia

Nada vejo.
Num infinito abstrato,
dentre a mistura de tons,
apenas um tom.
Me perco.
A respiração foge e me fixa ao chão.
Dentre o mais insuportável, o desespero.
tento lutar contra o espaço,
me debato contra o ar seco,
nada acontece.
Nada mais sinto além de medo.
Diante dele, respirar já não é tão importante.
Em meio ao abstrato do desconhecido,
eu sinto o medo.
Um medo inexplicável como a consistência do ar.
Em meio à diversidade de monstros,
me deparo com o monstro mais temido de todos,
Eu, sozinho no escuro.

Luz.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um barco à deriva
eu me torno longe de você
a vida se agita como as ondas desafiadoas
se se fecha como o tempo.
Nem um sinal de céu azul...

Luz.